A CASACOR atua como um grande laboratório de linguagem arquitetônica, exibindo especificações audaciosas de rochas ornamentais, marcenaria de desenho autoral e conceitos espaciais inspiradores. Embora muitas vezes pareça um cenário totalmente desimpedido, a mostra enfrenta desafios construtivos muito semelhantes aos que vemos no dia a dia da arquitetura residencial: a necessidade de implantar ambientes em edificações existentes ou patrimônios tombados, onde pilares rígidos, vigas pendentes e prumadas de instalações fixas não podem ser simplesmente removidos.

Ao acompanhar os projetos da mostra de perto, é fascinante perceber como a grande maestria dos profissionais reside justamente na capacidade de solucionar essas condicionantes estruturais com inventividade, transformando um elemento técnico inevitável em um ponto focal de design. Seja em um espaço de exposição ou na reforma de um apartamento residencial de alto padrão, a compatibilização inteligente entre a engenharia predial e a arquitetura de interiores é o grande motor do projeto executivo.

Em parceria com o PilarHomes, reuni aqui algumas observações de como os arquitetos leem o potencial de uma planta e convertem os desafios de vigas, shafts e alturas de laje da CASACOR São Paulo em soluções estéticas e funcionais para o seu próximo endereço.

1. Materialidade tátil e tectônica dos revestimentos

A transição dos acabamentos planos e monótonos para superfícies de alta resposta tátil e riqueza tectônica é uma das marcas mais fortes das mostras contemporâneas. Em vez de panos neutros, nota-se uma busca constante pela justa composição entre a rugosidade das pedras brutas, a temperatura da madeira e a textura de tecidos encorpados.

Como os profissionais aplicam em projeto: Notamos cada vez mais a escolha por revestimentos minerais de baixa espessura e alta fidelidade estética, como microcimento polido, estuque veneziano, pintura à base de cal ou painéis em lâminas de madeira nobre (Freijó, Nogueira-Americana ou Carvalho Americano). Na tapeçaria e nos estofados, o contraste tátil costuma ser garantido pelo uso de linhos rústicos de alta gramatura, bouclé de lã e tramas em tear manual, unindo absorção acústica e conforto térmico.

Ambientes para referência e inspiração:

Refúgio de Memórias — Daniel de Castro Cunha

Casa Ecomorada — Volar Interiores

Living Origens — José Navarro

2. Projeto luminotécnico: iluminação cenográfica e temperatura da cor

Nos ambientes da mostra, a iluminação central e pontual no teto raramente aparece isolada. Em seu lugar, os arquitetos constroem uma cena rica em acentuação e iluminação indireta. A luz deixa de ter apenas uma função prática para desenhar volumetrias, destacar texturas e acompanhar a sensação de relaxamento.

Como os profissionais aplicam em projeto: A estratégia mais frequente é a criação de circuitos independentes e dimerizáveis, combinando fita de LED em sircas e rasgos de marcenaria a luminárias de piso ou abajures autorais (que funcionam como verdadeiras esculturas lumínicas). A temperatura de cor costuma ficar focada na faixa quente (entre 2700K e 3000K) com alto Índice de Reprodução de Cor (IRC > 90), preservando a fidelidade dos materiais naturais. Onde há limitações de pé-direito, o aproveitamento da luz natural ganha força através de divisórias vazadas ou cobogós.

Ambientes para referência e inspiração:

Casa Origens — Studio Costa + Azevedo

Arquivo Vivo — Felipe Saurin

3. Modulação de mobiliário e ergonomia espacial

A fluidez espacial que tanto admiramos na CASACOR costuma ser fruto de uma seleção apurada de peças com volumetria orgânica e proporções muito bem pensadas para a circulação. O layout é desenhado para convidar à permanência, eliminando barreiras visuais pesadas.

Como os profissionais aplicam em projeto: Os arquitetos tendem a priorizar peças que equilibrem o rigor ergonômico com linhas curvas ou assimétricas. Sofás modulares com profundidade estendida e cantos arredondados suavizam o perímetro retilíneo das alvenarias e melhoram o fluxo ao redor do ambiente. Além disso, a especificação de tapetes sob medida (em fibras de abacá, sisal ou nylon de alta densidade) é um recurso clássico para delimitar a setorização visual e melhorar a acústica.

Ambientes para referência e inspiração:

Casa Jacob — Felipe Carolo

Um Lugar de Transformação — Beatriz Quinelato

4. Gestão de alturas espaciais e resolução de elementos estruturais

Embora a arquitetura efêmera das mostras muitas vezes simule grandes pés-direitos, na prática das edificações os profissionais lidam frequentemente com o gabarito rígido da laje e com vigas que cruzam as áreas sociais. O grande diferencial do projeto está em como integrar esses elementos de forma elegante.

Como os profissionais aplicam em projeto: Para valorizar a sensação vertical em lajes padrão, costuma-se recorrer a sancas periféricas, cortineiros embutidos no teto e folhas de porta pivotante no modelo piso-teto (sem bandeira). Diante de vigas aparentes ou pilares intermediários na planta, soluções como a marcenaria envelopante com cantos curvos (pill-shape) ou o uso de revestimentos contínuos (como painéis ripados ou concreto aparente tratado) transformam a estrutura fixa em um grande destaque do projeto.

Ambientes para referência e inspiração:

Estúdio Semibreve — Clara Nahas

Living Ritmo Vital — Maai Arquitetura

5. Compatibilização de prumadas hidráulicas e flexibilidade do layout

Tanto nos espaços da CASACOR quanto em apartamentos definitivos, shafts de ventilação, prumadas de esgoto e paredes estruturais definem pontos fixos que não podem ser alterados, exigindo saídas inteligentes para manter a sensação de espaço integrado.

Como os profissionais aplicam em projeto: Quando a demolição completa de uma alvenaria não é viável por conta de shafts ou elementos de sustentação, o uso de caixilharia leve ou sistemas de vedação retráteis se mostra bastante eficiente. Painéis de correr embutidos (pocket doors) ou divisórias de serralheria com vidros texturizados (canelado, aramado ou fluted) permitem setorizar os espaços e garantir privacidade quando necessário, sem barrar a luz natural nem comprometer a fluidez da circulação.

Ambientes para referência e inspiração:

Casa Brasiliense — Maria Araújo

A Poética do Ritmo — Isabella Nalo

A escolha da infraestrutura ideal para a casa dos sonhos

Trazer os aprendizados e o repertório das mostras para a vida real se torna um processo muito mais fluido quando começamos por um imóvel que possui uma infraestrutura técnica favorável: bons vãos de esquadria, plantas flexíveis e uma estrutura bem distribuída.

O PilarHomes faz uma curadoria atenta de imóveis de alto padrão cujas plantas e condicionantes construtivas servem como a base ideal para receber projetos de arquitetura de interiores interessantes e executáveis. Convido você a acessar o PilarHomes para explorar as oportunidades ou conferir a seleção de imóveis que separei no portal.